segunda-feira, junho 12

Como tens a casa sempre arrumada?

É simples...muito simples até...


..Não tenho!

Não tenho porque é impossível ter e porque a prioridade não é, nem nunca será essa. A casa não é a minha prioridade, o meu filho sim. Estar com os nossos filhos a tempo inteiro não é sinal de termos tempo para TUDO. A ginástica já é muita, mas essa será sempre uma corrida impossível de ganhar. É gratificante, um sonho tornado realidade e tenho a certeza absoluta que não quereria trocar por nenhum outro trabalho do Mundo. Mas a realidade é esta: não é sempre fácil, nem fluído, nem bonito. Tem o lado menos glamoroso do conceito, o lado desarrumado, sujo e caótico. Tem os restos de comida pelo chão depois de um almoço, em que muitas vezes não são logo limpos porque primeiro tem que se lavar cara, dentes, trocar fralda e negociar a vinda de 2 ou 3 pó-pós nas mãos. Tem a roupa por lavar no chão enquanto ele decide que é um bom momento de diversão para se rebolar nela. Tem a loiça na máquina à espera de ser arrumada, porque primeiro há o adormecer dele no meu colo, em silêncio, no quarto.
Tem a roupa por passar a ferro há semanas, porque a tábua não é propriamente minha amiga de festa. Tem os brinquedos espalhados por toda a casa, porque mal são arrumados passado umas horas ganham vida e voltam ao chão. Porque existe um cão cá em casa que tem que ser passeado, uma, duas, três vezes ao dia e também por ele está essa prioridade. 
Sim, tem os dias que enquanto ele dorme eu fascino tudo e mais alguma coisa em tempo record e se a vizinha quiser ainda lhe dou um jeito na casa dela e outros que quando ele dorme eu planeio uma limpeza fabulástica em menos de meia-hora, mas o simples olhar para a confusão deixa-me a vontade fugir e deixo-me ali ficar, com ele enroscada. Há a rotina que me permite deixar as coisas orientadas e ter um lar limpo e confortável. Mas há a desarrumação natural, REAL de uma casa com um bebé. Há uma aprendizagem a ser criada com ele, em que desarruma, arruma. Suja, limpa. Mas não há o forçar a nada, nem é isso que quero que sinta. Quero que saiba que existem regras, mas também que a casa é para ser vivida com vida! 
Sim, eu não tenho sempre a casa impecavelmente arrumada e lamento, mas acredito que nunca terei até ele ter idade em que se quiser enclausurar no seu quarto a viver os seus tempos de crescido. Até lá, existe um ser chamado criança nesta casa. Que salta, mexe, explora, quebra, esconde, espalha. Que salta na cama, rebola no chão, faz pistas de carros no sofá. Que vive intensamente e a casa é reflexo disso mesmo, felizmente. Aqui vive-se de forma real. Não há objetos sagrados e existem migalhas para contar a história. O que importa é acima disso é sermos felizes, juntos, aqui.


Mafalda
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2 comentários:

  1. Obrigada por saber e por deixar que se saiba que somos todas iguais <3

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  2. Obrigada eu .. grata por estar aqui :) 🙏🏻💙

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